Uma das armas mais poderosas que podemos ter na batalha contra o novo coronavírus é, sem dúvida, informação. Saber a estrutura do vírus, como ele se espalha e a eficácia das medidas de contenção dá aos governantes de todo o mundo um panorama para reforçar suas estruturas, ampliar o sistema de saúde e mais embasamento técnico para o desenvolvimento do tratamento.

Há algumas semanas, um time de cerca de 10 cientistas de dados da Inloco se mobilizaram, trabalhando dia e noite, para adaptar nossos serviços de contagem de fluxo de visitas e então torná-los úteis para entender como conter a COVID-19 em território nacional. O trabalho abaixo é mérito de todas essas pessoas - que mesmo que eu soubesse que seus trabalhos são excepcionais, agora estão ajudando a salvar milhares de vidas.

O primeiro passo foi entender quais tipos de estabelecimento estavam resistindo ao crescimento natural pós-carnaval, para que os próprios dados nos indicassem por onde começar a pesquisa:

Enquanto nas universidades, shopping centers e lojas de departamento nada de atípico se notava, duas categorias de locais começaram a sentir os primeiros efeitos: aeroportos e agências de viagens.

Refletidos nas imagens abaixo, universidades, que não notaram queda de fluxo nas primeiras semanas de março, e aeroportos, que foram os principais percussores dos dias que estavam por vir.

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Universidades

Variação semanal de fluxo nos aeroportos

Aeroportos

Enquanto víamos setores despencarem, primeiro pelo medo crescente das pessoas em se deslocar e depois devido às políticas de home-office e de distanciamento social, precisávamos agora ir para um passo além: como auxiliar as entidades responsáveis pelo combate ao vírus com informações relevantes e acionáveis?

 

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Em menos de quatro horas, visitas que chegavam através dos aeroportos internacionais de São Paulo já estavam espalhadas pelo Brasil todo - percorrendo distâncias de milhares de quilômetros.

Mesmo sendo pauta em muitas matérias de jornais no início da pandemia, à medida que a infecção comunitária se tornou o principal meio de contágio, estes lugares deixaram de ser o principal indicador de risco. Um outro surgia: as aglomerações.

Tão rápido quanto perceber esse cenário, um novo índice foi criado, que batizamos de Índice de Isolamento Social - a contagem percentual das pessoas em uma região da cidade que estão ficando em suas casas.

Entendemos no meio da crise que, sim, a maneira mais eficaz de conter o espalhamento agressivo dessa doença é garantindo que medidas como distanciamento social estejam sendo bem executadas. E ficamos animados que talvez pudéssemos ajudar a salvar vidas com isso.

 

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Municípios, estados, ministérios poderiam ter, na palma de suas mãos, um report diário sobre como as regiões do Brasil estavam aderindo ou não ao isolamento, podendo ser um indicador crucial de previsão de casos das quinzenas por vir. Tudo isso de forma agregada, não-individualizada e anônima - que são fundamentos que regem a In Loco desde sua criação.

Hoje, diversas prefeituras e estados ao redor do Brasil já estão com dashboards como essas em suas war-rooms (como batizam as salas de operação estratégica para conter o vírus), detalhadas a nível de estado e também a nível de regiões municipais.

 

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Soluções criativas estão surgindo a partir desses dados, como a prefeitura de Recife que colocou carros de som (típicos no Nordeste, região em que nasci e cresci) nas micro-áreas com menor índice para alertar a população, ou até estratégias complexas de alocação de hospitais de campanha perto de regiões críticas.

 

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Enquanto nesta foto vemos como os bairros de Recife são conectados normalmente, em um período sem isolamento social, nesta abaixo vemos as conexões perderem força na segunda quinzena de março.
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Estamos monitorando agora como as medidas de isolamento agem sob a amplitude da curva de infecção e reduz a quantidade de mortos, porém mais dados (e tempo) são necessários para descobrir respostas para problemas tão críticos como esse. Na imagem abaixo, pode-se perceber que as medidas de isolamento (eixo esquerdo / gráfico de linha) só começaram a ter efeito a nível nacional nos últimos 15 dias, período em que os casos mais subiram (eixo direito / gráfico de barras).

 

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Porém são as próximas semanas que refletirão fielmente os primeiros efeitos de atitudes tão nobres e sensatas quanto [ficar em casa] - e o time de cientistas da In Loco está a postos para investigar, decifrar e ajudar a esclarecer os principais efeitos dessas medidas, munidos de tecnologia, matemática e muita boa vontade.
José Luciano Melo

Por José Luciano Melo

Data Analysis Manager / Product Manager | In Loco